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    Esperança e palavras

    "Como a maior parte das pessoas, lutei numa vida de trabalho e decência, e usei as únicas armas que sei manejar: A esperança e as palavras."



    Escrito por Flavia Cintra às 18h22
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    Afinidade (para o Rui)

    (Artur da Tavora)

    A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
    O mais independente.

    Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
    Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
    Afinidade é não haver tempo mediando a vida.

    É uma vitória do adivinhado sobre o real. o subjetivo sobre o objetivo.
    Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.
    Ter afinidade é muito raro.

    Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
    O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

    Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
    É ficar conversando sem trocar palavra. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

    Afinidade é sentir com.
    Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
    Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
    Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

    Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
    É olhar e perceber.
    É mais calar do que falar.
    Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.

    Afinidade é jamais sentir por.
    Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
    Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
    Compreende sem ocupar o lugar do outro.
    Aceita para poder questionar.
    Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

    Só entra em relação rica e saudável com o outro, quem aceita para poder questionar.
    Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar, não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
    E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
    Isso é afinidade.

    Mas o habitual é vermos alguém questionar porque não aceita o outro como ele é. Por isso, aliás, questiona.
    Questionamento de afins, eis a (in)fluência.
    Questionamento de não afins, eis a guerra.

    A afinidade não precisa do amor. Pode existir com ou sem ele.
    Independente dele. A quilômetros de distância.
    Na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.
    Há afinidade por pessoas a quem apenas vemos passar, por vizinhos com quem nunca falamos e de quem nada sabemos.
    Há afinidade com pessoas de outros continentes a quem nunca vemos, veremos ou falaremos.

    Quem pode afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem para buscar sintomas com pessoas distantes, com amigos a quem não vemos, com amores latentes, com irmãos do não vivido?

    A afinidade é singular, discreta e independente, porque não precisa do tempo para existir.
    Vinte anos sem ver aquela pessoa com quem se estabeleceu o vínculo da afinidade!
    No dia em que a vir de novo, você vai prosseguir a relação exatamente do ponto em que parou.
    Afinidade é a adivinhação de essências não conhecidas nem pelas pessoas que as tem.

    Por prescindir do tempo e ser a ele superior, a afinidade vence a morte, porque cada um de nós traz afinidades ancestrais com a experiência da espécie no inconsciente.
    Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós, para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.
    Sensível é a afinidade.
    É exigente, apenas de que as pessoas evoluam parecido.
    Que a erosão, amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau, porque o que define a afinidade é a sua existência também depois.

    Aquele ou aquela de quem você foi tão amigo ou amado, e anos depois encontra com saudade ou alegria, mas percebe que não vai conseguir restituir o clima afetivo de antes, é alguém com quem a afinidade foi temporária.
    E afinidade real não é temporária. É supratemporal.
    Nada mais doloroso que contemplar afinidade morta, ou a ilusão de que as vivências daquela época eram afinidade.
    A pessoa mudou, transformou-se por outros meios.
    A vida passou por ela e fez tempestades, chuvas, plantios de resultado diverso.

    Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças, é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas, quantos das impossibilidades vividas.
    Afinidade é retomar a relação do ponto em que parou, sem lamentar o tempo da separação.
    Porque tempo e separação nunca existiram.
    Foram apenas a oportunidade dada (tirada) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.
    E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.



    Escrito por Flavia Cintra às 20h05
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    Maricota

    Ainda sinto um gosto amargo porque os assuntos que tratei no post de ontem continuam me martelando a cabeça.

    Mas, a vida segue e meus pequenos não me deixam ficar triste por muito tempo.

    Hoje cedo, Mariana veio em “alta velocidade” me mostrar que faz seu velotrol cor-de-rosa se transformar numa cadeira de rodas.

    “Olha, mamãe, ficou igual a sua!”. Ela sentou nele ao contrário, com as pernas viradas para o lado de trás, e assim as duas rodas traseiras ficaram para a frente. Sabe que ficou parecido mesmo com uma cadeira de rodas? E o mais engraçado foi ela me imitando para “empurrar a cadeira”, girando as rodas com as mãozinhas. Não é muito fofa?



    Escrito por Flavia Cintra às 18h53
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    Haja entusiasmo!!!

    No último domingo, enquanto estacionava seu carro na frente de uma loja, um homem viu outro motorista estacionando numa vaga reservada para pessoas com deficiência. Aquele homem, que tem uma filha cadeirante, deve ter ficado indignado ao ver que a pessoa não tinha nenhuma deficiência. Eu e todos os meus amigos cadeirantes podemos imaginar o que ele sentiu, pois é duro você precisar parar o carro e não ter uma vaga com espaço para passar para a cadeira porque alguém resolveu usar um lugar que é seu.  O homem foi chamar a atenção do outro e deve ter dito alguma coisa parecida com o que eu sempre falo nesse tipo de situação.  Esse homem foi espancado, precisou ser internado e passar por uma cirurgia. A recuperação será lenta e dolorida.

    Fiquei o dia todo pensando nisso, tentando entender o que se passa na cabeça de um sujeito desses. O assunto bombou no Twitter, no Facebook, no Orkut, nas listas de discussão... todos estão perplexos. Eu me senti um pouco responsável, pois costumo tocar nessa questão nas minhas palestras e peço ajuda das pessoas para orientar o uso correto das vagas reservadas. Não há fiscalização e a única coisa que podemos fazer é assumir esse papel. Pois é, agora eu fico sabendo que um homem que fez isso quase morreu! O que vamos fazer?

    Estou com vergonha. Como é que eu vou explicar isso para os meus filhos quando eles crescerem? Acontecimentos dessa natureza precisam acabar.  Essa criatura precisa ser presa, não por vingança, mas por que esse tipo de comportamento violento e covarde não pode se manter impune no ano 2010. Vou acompanhar o caso na esperança de voltar aqui outro dia para contar que o pai da cadeirante está bem e que o brucutu está pagando pelo que fez.

    Há poucos dias, em Campo Grande – MS, uma professora cega passou em 1º lugar em um concurso público, mas foi impedida de assumir o cargo. O prefeito disse que ela não tinha condições de ensinar. Como assim????

    Dias melhores virão...



    Escrito por Flavia Cintra às 02h29
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    Aprendi com o Fabiano...

    A palavra entusiasmo, de origem grega, significa "ter um deus dentro de si".

    Os gregos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses. A pessoa entusiasmada era aquela que era possuída por um dos deuses e por causa disso poderia transformar a natureza e fazer as coisas acontecerem. Assim, se você fosse entusiasmado por Ceres (deusa da agricultura) você seria capaz de fazer acontecer a melhor colheita, e assim por diante. Segundo os gregos, só pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios do cotidiano. Era preciso, portanto, entusiasmar-se.

    Adorei.



    Escrito por Flavia Cintra às 01h27
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