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    Memórias de uma mãe cadeirante
     


    Viver a vida

    Um ano depois da novela, me flagro ainda envolvida nos seus desdobramentos. Até hoje não passei uma semana sem responder sobre a Luciana ou sem receber notícias de projetos inspirados e disparados pelo roteiro do Maneco. Sinto borboletas na barriga cada vez que recebo esse tipo de retorno. Nesse tempo, tenho acompanhado algumas grávidas e compartilhado as sensações mágicas que só quem tem um bebê crescendo dentro da barriga pode experimentar. É tão bom, tão bom.... e como passa rápido. A vida passa depressa demais. Estou naquelas fases em que essa realidade grita. E parece faltar tempo para viver tanta vida.

    Não vou entrar num dos meus frequentes questionamentos sobre o tempo. Aprendi a me perdoar pelas coisas que não consigo fazer e aplacar a angústia que ainda me visita no final de um dia que termina antes que eu cumpra tudo o que planejei. Minha pauta do momento é outra.

    Meus filhos tem me perguntado sobre a morte. Descobriram que existe um dia que a pessoa dorme e não acorda nunca mais. Nem mesmo com o beijo do príncipe da Bela Adormecida. Numa das nossas conversas sobre o assunto, Mariana me pediu para não morrer. Mateus arregalou os olhos a espera da minha resposta. Eu queria prometer que não vou morrer nunca, mas não pude. E, silenciosamente, me arrependi por não ter sido mãe dez anos antes. Seriam dez anos de vida a mais que eu teria para dedicar a eles.

    Me deu medo de morrer. Medo de não poder acompanhar, orientar, proteger, acalentar, encaminhar. Medo de ir embora antes de serem adultos, independentes, seguros. O medo de faltar a eles é maior que o medo de deixar de viver. Será prepotencia me achar tão importante? Vejo todas as mães terem certeza que ninguém conhece seus filhos melhor que elas, que ninguém os ama mais do que elas e que ninguém faria por eles nada melhor do que elas. Putz, sou mais uma.



    Escrito por Flavia Cintra às 22h58
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